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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Filosofia - Para que serve a filosofia?

Documentário sobre a ditadura militar no Brasil-COC Brasília

Rosa de Hiroshima / Vinicius de Moraes







Rosa de Hiroshima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada

RUSSIANS (TRADUÇÃO) - Sting

Russos

Na Europa e na América
Há um crescente sentimento de histeria
Condicionada para responder a todas as ameaças
Na retórica dos discursos soviéticos

O senhor Khrushchev disse, "nós vamos enterrar vocês"
Eu não aprovo seu ponto de vista
Isso seria uma coisa muito ignorante a fazer
Se os Russos amam suas crianças também

Como eu posso salvar meu pequeno garoto
Do assassino brinquedo de Oppenheimer ?
Não há monopólio do senso comum
Em ambos os lados da barreira política

Nós compartilhamos a mesma biologia
Independente da ideologia
Acredite em mim quando eu digo a você
Espero que os russos amem suas crianças também

Não há precedente histórico para por
Palavras na boca de um presidente
Não existe coisa como guerra vitoriosa,
isto é uma mentira e nós não acreditaremos em mais nada

Senhor Reagan disse, "Nós vamos proteger você"
Eu não confio no seu ponto de vista
Acredite em mim quando eu digo a você
Espero que os russos amem suas crianças também

Nós temos a mesma biologia
Independente da ideologia
O que talvez possa nos salvar, eu e você,
É se os russos amam suas crianças também

Guerra Fria: uma introdução.



Guerra Fria é a designação atribuída ao período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos e a União Soviética, compreendendo o período entre o final da Segunda Guerra Mundial (1945) e a extinção da União Soviética (1991). Em resumo, foi um conflito de ordem política, militar, tecnológica, econômica, social e ideológica entre as duas nações e suas zonas de influência.
Uma parte dos historiadores defende que esta foi uma disputa entre o capitalismo, representado pelos Estados Unidos e o socialismo, defendido pela União Soviética (URSS). Entretanto, esta caracterização só pode ser considerada válida com uma série de restrições e apenas para o período do imediato pós-Segunda Guerra Mundial, até a década de 1950. Logo após, nos anos 1960, o bloco socialista se dividiu e durante as décadas de 1970 e 1980, a China comunista se aliou aos Estados Unidos na disputa contra a União Soviética. Além disso, muitas das disputas regionais envolveram Estados capitalistas, como os Estados Unidos contra diversas potências locais mais nacionalistas.
É chamada "fria" porque não houve uma guerra direta ou seja bélica, "quente", entre as duas superpotências, dada a inviabilidade da vitória em uma batalha nuclear. A corrida armamentista pela construção de um grande arsenal de armas nucleares foi o objetivo central durante a primeira metade da Guerra Fria, estabilizando-se na década de 1960 até à década de 1970 e sendo reativada nos anos 1980 com o projeto do presidente estadunidense Ronald Reagan chamado de "Guerra nas Estrelas".
Dada a impossibilidade da resolução do confronto no plano estratégico, pela via tradicional da guerra aberta e direta que envolveria um confronto nuclear; as duas superpotências passaram a disputar poder de influência política, econômica e ideológica em todo o mundo. Este processo se caracterizou pelo envolvimento dos Estados Unidos e União Soviética em diversas guerras regionais, onde cada potência apoiava um dos lados em guerra. Estados Unidos e União Soviética não apenas financiavam lados opostos no confronto, disputando influência político-ideológica, mas também para mostrar o seu poder de fogo e reforçar as alianças regionais.
Neste contexto, os chamados países não alinhados, mantiveram-se fora do conflito não alinhando-se aos blocos pró-URSS ou pró-EUA. E formariam um "terceiro bloco" de países neutros: o Movimento Não Alinhado.
Norte-americanos e soviéticos travaram uma luta ideológica, política e econômica durante esse período. Se um governo socialista fosse implantado em algum país do Terceiro Mundo, o governo norte-americano entendia como uma ameaça à sua hegemonia; se um movimento popular combatesse um governo aliado à soviético, logo poderia ser visto com simpatia pelos EUA e receber apoio.
A Guerra da Coreia (1950-1953), a Guerra do Vietnã (1962-1975) e a Guerra do Afeganistão (1979-1989) são os conflitos mais famosos da Guerra Fria. Além da famosa tensão na Crise dos mísseis em Cuba (1962) e, também na América do Sul, a Guerra das Malvinas (1982). Entretanto, durante todo este período, a maior parte dos conflitos locais, guerras civis ou guerras inter-estatais foi intensificado pela polarização entre EUA e URSS.
Esta polarização dos conflitos locais entre apenas dois grandes polos de poder mundial, é que justifica a caracterização da polaridade deste período como bipolar. Principalmente porque, mesmo que tenham existido outras potências regionais entre 1945 e 1991, apenas EUA e URSS tinham capacidade nuclear de segundo ataque, ou seja, capacidade de dissuasão nuclear.

Ideologia, eu quero uma para viver...










Nas ciências sociais, filosofia e áreas afins, o termoideologia é empregado com muita freqüência. Em uma de suas canções, o músico e letrista brasileiro Cazuza fez uma crítica sagaz à ausência de uma ideologia para seguir nos tempos atuais.
O verso de Cazuza - "Ideologia. Eu quero uma pra viver"  - pode ser nosso ponto de partida para perguntar: mas afinal, qual é o significado desse termo e como ele surgiu?
O conceito ideologia foi criado pelo francês Antoine Louis Claude Destutt de Tracy (1754-1836). Este filósofo o empregou pela primeira vez em seu livro "Elementos de Ideologia", de 1801. para designar o "estudo científico das idéias".
O conceito de ideologia é muitas vezes identificado como apenas o estudo das idéias, mas tal conceito é equivocado, já que tal tradução se trata de ideário e não uma forma de ocultar a realidade através dos mesmos. Para Aristóteles, é um movimento caracterizado por toda e qualquer alteração da realidade. Ela é criada de como uma forma de alienação social, caracterizada de 3 formas: social, na qual o indivíduo aceita tudo que lhe é disposto pois acredita ser parte de algo natural e imutável; alienação econômica, que é aquela em que os membros da sociedade não se reconhecem como responsáveis por aquilo que fazem, não se identificam em seus trabalhos; e alienação intelectual, a qual nos faz pensar que o trabalho manual não exige conhecimento ou intelectualidade, mas sim mecânica. Essas formas de alienação tornam a ideologia ainda mais forte, pois criam um senso comum na sociedade, de modo a justificar a realidade de maneira superficial, ou seja, visível a olho nu; enquanto que o olhar para com a sociedade deveria ser mais profundo e melhor analisado.
Podemos considerar uma generalização do homem a descrição do mundo a partir da classe social em que vivemos, mostrando que não olhamos o todo, mas nos deixamos levar pelas impressões que temos somente do corpo a que pertencemos, fazendo, assim, afirmações incorretas sobre a nossa realidade. Por não determos total conhecimento desta, o senso comum não pode ser aplicado, já que este é uma opinião de um pequeno grupo que acaba tornando-se, por imposição, padrão para o resto. Em conseqüência. Um argumento que insistimos em carregar, é que somos uma só sociedade, que somos todos iguais. Apesar de sabermos que as divisões sociais são claras, afirmamos que elas não existem e sim apenas seres humanos com os mesmos direitos, quando na realidade uma pequena parcela da população gerencia de que modo os recursos chegarão à grande maioria, aos seu “semelhantes”. Ao mesmo tempo que insistimos nesse argumento, também insistimos que as desigualdades sociais, econômicas e políticas não são formadas pela divisão de classes que nos é real, mas sim por destaque de alguns membros da sociedade que tem maior capacidade intelectual do que outros, ou maior força de vontade. Tal argumento parece preguiçoso, ou seja, é mais fácil afirmar que um homem é rico por astúcia e por todo seu conhecimento acumulado, do que reconhecer que toda essa inteligência e astúcia não foi usada para melhor distribuir a renda no país e sim concentrá-la. Do ponto de vista ideológico, todos nós somos cidadãos, porém se fossemos comparar nossa sociedade a sociedade da antiga Grécia dos tempos das Polis, veríamos que ela não se difere muito, já que apenas uma minoria eram considerados cidadãos. Ainda hoje, a grande maioria não possui seus direitos respeitados. Apesar de todos serem chamados cidadãos, é apenas uma minoria que de fato exerce esse título. Não é porque somos indivíduos votantes que quitamos nossos débitos, que podemos nos considerar cidadãos. Isso é o que a ideologia nos faz acreditar, porém a realidade é outra.
Para a ideologia, existe uma ordem a ser seguida, de modo que a sociedade passe a acreditar que uma situação como esta só ocorre porque a sociedade está disposta a isso, ou seja, existe uma relação de efeito e causa. As mulheres, por exemplo, só são consideradas o sexo frágil por serem mais intuitivas, maternais, doces, características que, aparentemente, as tornam mais frágeis que os homens. Essa forma de ver a sociedade atua como uma produção do imaginário social, o qual recolhe imagens imediatas da vida e as toma como realidade geral reproduzida pela ideologia. Há quem afirme que a ideologia é similar ao conceito de inconsciente de Freud. Essas comparações ocorrem devido a adoção de crenças sem saber sua origem, a ação através do imaginário refletindo na consciência. A ideologia torna-se, assim, uma forma de falsear realidade de modo imperceptível para a sociedade, já que é preferível continuar afirmando aquilo que é mais fácil ouvir, ou explicar. Por exemplo: dizer que um pobre só é pobre porque é vagabundo, por que quer ser pobre mesmo, tem preguiça. Ao invés de ouvir a essência das coisas, ao invés de tentar compreender a realidade que cerca a sociedade e parar de nos ver espelhados e explicados nos rostos alheios.